O chamado do mar ecoa além do litoral e ressoa no calendário oficial da World Surf League para 2026, um ano que marca os 50 anos do circuito profissional de surf. Como um swell que cresce no horizonte e só se revela em forma quando chega perto, o novo calendário da WSL 2026 foi divulgado com mudanças profundas no formato de competição e no modo como os surfistas serão desafiados ao longo da temporada. Essa decisão representa não apenas uma reformulação técnica, mas um movimento que reconecta o campeonato ao seu espírito original de consistência, coragem e respeito às ondas.
O que torna a temporada de 2026 única é o retorno de elementos clássicos do surf profissional, combinados com ajustes pensados para ampliar a participação feminina e trazer mais significado a cada competição. Pela primeira vez em muitos anos, o título mundial será decidido com base em pontuação acumulada ao longo de toda a temporada, um retorno às raízes do surf competitivo antes do chamado formato “Final 5”, que vinha concentrando a definição do campeão em apenas uma bateria no fim do ano. Essa mudança ressoa com a tradição do surf, onde consistência e presença ao longo da jornada sempre foram valorizadas como formas mais completas de medir a arte e a coragem de quem compete no mar.
Calendário 2026: ondas ao redor do mundo, do outono australiano ao inverno do Havaí O novo ciclo competitivo da WSL proposto para 2026 terá 12 eventos distribuídos entre abril e dezembro, espalhados por alguns dos lugares mais emblemáticos do planeta para surfar. A temporada inicia na Austrália e se estende por continentes e mares diversos, incluindo Brasil, África do Sul, Polinésia Francesa, Fiji, Estados Unidos, Emirados Árabes e Europa, até chegar ao encerramento glorioso no icônico Banzai Pipeline, no Havaí, que, para alegria dos puristas, volta a ser o palco da final do título mundial, com todos os surfistas competindo juntos nesta etapa decisiva.

O calendário completo contempla:
- Bells Beach – Victoria, Austrália (1 a 11 de abril)
- Margaret River – Austrália Ocidental (17 a 27 de abril)
- Snapper Rocks – Queensland, Austrália (2 a 12 de maio)
- Punta Roca – El Salvador (28 de maio a 7 de junho)
- Saquarema – Rio de Janeiro, Brasil (12 a 20 de junho)
- Jeffreys Bay – África do Sul (10 a 20 de julho)
- Teahupo’o – Taiti, Polinésia Francesa (8 a 18 de agosto)
- Cloudbreak – Fiji (25 de agosto a 4 de setembro)
- Lower Trestles – Califórnia, EUA (11 a 20 de setembro)
- Surf Abu Dhabi Pro – Emirados Árabes Unidos (14 a 18 de outubro)
- Peniche – Portugal (22 de outubro a 1 de novembro)
- Pipe Masters – Banzai Pipeline, Havaí (8 a 20 de dezembro)
Essa sequência de paradas não é apenas uma rota competitiva: ela é um mapa de experiências e atmosferas, onde cada lugar convida o surfista e o público a mergulhar em diferentes ritmos de mar, vento, cultura e desafio.
Formato renovado: mais significado em cada bateria O ano de 2026 traz grandes alterações no modo como a competição é estruturada, escolhendo valorizar a consistência ao longo de toda a temporada em vez de concentrar tudo em um único dia de finais. Com isso, o tradicional formato chamado de “Finals Day” – que reunia apenas os cinco melhores surfistas do ano para decidir o título em uma data isolada – foi abandonado em favor de um sistema de pontuação acumulada que considera o desempenho em todas as etapas do circuito. Essa mudança devolve ao surf a sua essência de jornada contínua, onde cada bateria, cada onda, cada escolha no mar pode fazer diferença na corrida pelo título.
A temporada regular incluirá nove etapas em que 36 homens e 24 mulheres competirão pelo ranking. Ao concluir essa fase, haverá um corte para a pós-temporada, que consiste em duas etapas intermediárias com 24 homens e 16 mulheres, antes do grande encerramento em Pipe. O título mundial será decidido com base nos melhores nove resultados de cada surfista entre as 12 etapas, incentivando não apenas grandes performances isoladas, mas regularidade e coragem ao longo do ano todo.
Outro ponto marcante dessa reestruturação é a ampliação da participação feminina, elevando o número de mulheres competidoras de 18 para 24, um movimento que fortalece a igualdade no esporte em uma temporada histórica que celebra cinco décadas de evolução do surf profissional.

Da Austrália ao Havaí: um tour que celebra diversidade de ondas O novo calendário WSL 2026 passa por picos que representam diferentes estilos e desafios de onda, criando uma narrativa global sobre o que significa competir com excelência em diversos contextos oceânicos. Bells Beach, a primeira etapa, é sinônimo de tradição e performance clássica; Margaret River traz potência e força oceânica; Snapper Rocks celebra velocidade e finesse; enquanto Punta Roca, Teahupo’o e Cloudbreak representam ondas de fundo de coral que exigem precisão e coragem. Junto a isso, Saquarema, Jeffreys Bay e Lower Trestles conectam a temporada a ondas que equilibram performance técnica com a personalidade de cada mar local.
O encerramento em Pipeline não é apenas um evento esportivo: é uma celebração ritualística do surf em seu formato mais desafiador e simbólico. Pipe, com seus tubos poderosos e imprevisíveis, é um lugar onde a habilidade, a leitura do mar e o coração se encontram. Decidir um título mundial ali – com o campo completo de surfistas – é uma afirmação de que o surf competitivo ainda encontra sua grande expressão nas ondas que mais testam a coragem e a presença de quem surfa.
O surf como arte e experiência Se olharmos além das datas e dos formatos, a WSL 2026 é uma temporada que nos convida a observar o surf como uma narrativa contínua, cheia de nuances, desafios e descobertas. Cada etapa, cada bateria, cada onda surfada conta uma história que vai muito além do placar ou do quadro de classificação. Surf não é apenas um esporte a ser conquistado: é uma viagem sensorial e emocional que nos convida a estar presentes na água, conectados com o mar e atentos à própria evolução
Assim como a fotografia procura capturar aqueles segundos preciosos antes da onda quebrar ou depois de uma curva perfeita, o circuito mundial de surf em 2026 volta a valorizar o fluxo inteiro da temporada – a soma de cada momento vivido no mar. Competir em diferentes mares, sob diferentes céus, representa um convite à presença e ao movimento, incentivando surfistas e fãs a perceberem o surf não apenas como registro esportivo, mas como expressão de vida.