3 melhores picos para surfar em Florianópolis

Florianópolis não é apenas mais uma ilha cercada por água, ela é um território onde o surf se enraíza na alma, onde a natureza molda ondas que convidam o corpo a entrar no ritmo do oceano, onde cada praia tem sua própria música de movimento. Na ilha catarinense, as praias se conectam por um mesmo pulso: o mar que não cessa, o vento que conta histórias e o encontro entre água e corpo que se transforma em memória vívida.

Entre tantos picos espalhados pela costa, três se destacam como experiências essenciais para quem busca sentir as ondas de Floripa com intensidade e poeticidade: Praia da Joaquina, Praia Mole e Morro das Pedras, lugares onde o surf surpreende pela experiência em ver a vida se manifestando pelo mar.

Praia da Joaquina: o coração do surf em Florianópolis

A Praia da Joaquina é, sem dúvida, um dos picos mais icônicos para surfar em Florianópolis e no Brasil inteiro. Considerada um verdadeiro clássico, a Joaquina tem ondas consistentes que funcionam durante boa parte do ano, recebendo swells que vêm do sul e do sudeste com força e constância, criando paredes e tubos que desafiam tanto surfistas experientes quanto aqueles que buscam elevar sua conexão com o mar. A própria história do surf em Floripa está profundamente ligada a essa praia, que já foi palco de etapas de campeonatos e celebra momentos marcantes do esporte.

O mar aqui é generoso, mas também exigente. As ondas na Joaquina podem atingir alturas impressionantes durante as maiores ressacas, e os fundos de areia variam conforme a maré, mudando a fisionomia das quebras ao longo do dia. Para quem entra na água, estar na Joaquina é entrar em um diálogo com o oceano que não se limita à performance, mas abraça o sentimento de desafio e respeito. O localismo é real: as pessoas que conhecem essa praia profundamente sabem que é preciso escutar o mar e compreender seu próprio ritmo antes de tentar dominar qualquer onda.

Fotografar aqui revela muito mais que formas. Captura histórias de presença, de espera, de encontros entre pessoas e ondas que vêm e vão. Quando o swell grande chega, a Joaquina pulsa como um organismo vivo, com luz que atravessa superfícies, sombras que dançam na água e corpos que se movem com a determinação de quem se entrega à natureza com coragem e delicadeza.

Praia Mole: vibração, corpo e movimento

Logo a seguir, caminhando pela costa leste da ilha, está a Praia Mole, um lugar onde a estética do surf e a expressão de vida se conectam de forma visceral. O nome “Mole” não é apenas um sinal da areia fina e macia que beija cada passo na praia. Ele também ecoa o espírito fluido das ondas e das vidas que ali se encontram: surfistas, músicos, artistas, visitantes e moradores que respiram o mar como parte de sua identidade.

Do ponto de vista das condições de surf, a Praia Mole é um dos picos mais procurados na região leste de Florianópolis, com ondas que quebram tanto para a direita quanto para a esquerda, agradando surfistas de níveis intermediários a avançados. A formação de ondas aqui responde bem aos swells de sul e leste, e o vento terral pode desenhar expressões de água que se tornam verdadeiras paisagens em movimento.

Mas a Mole não é só surf. É um estado de presença que se estende da água para a areia: depois da sessão, as pessoas se reúnem, conversam sobre o que as ondas ensinaram, o vento que mudou, a luz que pintou o céu. É ali que a fotografia de surf encontra um terreno fértil para capturar não só manobras, mas afetos, encontros, expressões que não se repetem e que se tornam lembranças vivas. As cores, texturas e movimentos que se percebem na Mol (desde o reflexo do sol na crista da onda até as marcas de pés na areia ao entardecer) alimentam imagens que se carregam para além da memória imediata.

A Praia Mole é, nesse sentido, um ponto de conexão entre a energia interna de quem surfa e a energia externa do mar e da paisagem, um lugar onde o corpo aprende a conversar com a água, onde cada onda é também uma conversa com o tempo.

Morro das Pedras: natureza crua e surf desafiador

Descendo ainda mais para o sul da ilha, encontramos outra joia do surf em Florianópolis: Morro das Pedras. Diferente das praias maiores como Joaquina e Mole, o Morro das Pedras tem um caráter mais selvagem e menos previsível, com ondas que começam a quebrar em meio a formações rochosas, criando picos que desafiam a expectativa de quem entra no mar e que recompensam a coragem de explorar.

Aqui, a onda tem uma face mais “point-break”, porque muitas vezes ela surge um pouco mais afastada da praia, vindo de bancos de areia que são moldados pela geografia local. Para quem gosta de desafios, o Morro das Pedras é um lugar onde observar, escutar e aprender a ler as marés e correntes torna-se tão importante quanto saber remar forte.

No entanto, essa natureza menos previsível é também o que torna o Morro das Pedras um ponto singular para fotografia e experiência interior fora d’água. A transição entre a água profunda e as rochas ao fundo cria texturas, sombras e luzes que fascinam qualquer lente que esteja disposta a captar mais do que uma simples onda. É aqui que a fotografia autoral no mar, aquela que não busca apenas registrar ação, encontra riquezas visuais intensas: partículas de água iluminadas pelo sol, reflexos inesperados, e momentos em que a natureza parece sussurrar sua própria narrativa.

Morro das Pedras não é indicado para iniciantes, justamente pela complexidade de sua topografia e pelas variações que podem surgir rapidamente conforme as condições do vento e das marés. Mas para quem já navegou por outras praias e quer sentir o mar de uma maneira mais sensorial e profunda, este pico traz experiências que muitas vezes escapam à rotina do surf urbano: ele convida a olhar, sentir e se relacionar com o oceano em sua forma mais crua.